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Dicas e Ideias

1.0 - EU QUASE QUE NADA NÃO SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA.

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Depois de cerca 32 anos de trabalho como psicoterapeuta, desacelero o ritmo e faço uma reflexão sobre minha profissão e principalmente sobre minha atuação profissional.

 

Não estou questionando os meus psicoterapeutas, porque eles fizeram e fazem o melhor por mim.

 

Sou muito grata a essas pessoas que me acolheram, me questionaram, me instigaram, me informaram e me auxiliaram a ampliar minha consciência.

 

Eu estou questionando a minha profissão sim, mas sentada na cadeira do psicoterapeuta.

 

E eu?

Será que consigo estar saudável e ser útil em minha profissão?

 

Já atendi "esquilhões" de pessoas e acredito que muitas delas não saíram "melhores" de meu consultório.

 

Também sei que muitas saíram insatisfeitas com minha atuação, esperavam mais de mim ou imaginaram que eu faria algo de melhor para a vida delas.

 

E muitas pessoas que eu atendi, não consegui sequer entender o seu pedido de ajuda.

 

E outras, hoje eu entendo que na verdade não tinham nenhum pedido de ajuda...

 

Mas a muitas pessoas, peço desculpas na posição de psicoterapeuta, de não ter diferenciado o que era uma dor (sentimento) daquilo que era um sofrimento (pensação). Sofrimento esse que tinha grande validade no jogo de poder que imaginariamente  tinham com a vida.

 

Posso entender hoje que "forcei a barra" para que uma mudança acontecesse. E posso ter prejudicado muitas pessoas com esta minha equivocada ideia de ajuda. 

 

Depois de refletir e sair da zona de (des)conforto em que me coloquei profissionalmente - o lugar do suposto saber -  concluo que durante muitos e muitos anos eu realmente acreditei nessa ilusão.

 

Este foi o pior dos meus pecados profissionais.

Acreditar que eu deveria saber tudo.

E avançando mais na minha tolice, eu acreditava que deveria fazer tudo!

 

Ah! Essa vaidade humana, que me pegou de jeito.

Daí a cometer muitas tolices profissionais foi fácil.

 

Muitas vezes, me empenhei ao máximo em "resolver" problemas que meus clientes (alguns profissionais chamam de pacientes) não tinham ainda o desejo de resolvê-los, porque não eram problemas e sim resoluções inadequadas que criaram para outros problemas (piores?) que eles não queriam enfrentar. Direito deles!

 

Até então, eu não entendia que problemas não existem. O que existe é uma forma rígida de vermos determinada situação. Então problemas para serem resolvidos, primeiro devem ser solucionados - diluídos, solúveis, menos densos. 

 

Também não entendia que em geral o sintoma é um mal menor para aquele sistema, para aquela pessoa. O mal maior é outra coisa, algo mais vergonhoso ou talvez mais trabalhoso, que eu como psicoterapeuta, não terei a menor ideia, caso meu cliente não me permita acessar.

 

Aqui me lembro de Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas quando diz:

 

...Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.

O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre

- o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira,

e eu rastreio essa por fundo de todos os matos. Amém!"

 

Muito diferente de Riobaldo, a minha crença de que eu deveria saber tudo e não desconfiar de nada, me deixou numa vaidosa acomodação e então eu "rastreiava" pouco.

 

Para quê desconfiar, rastreiar, farejar, se criando alguma interessante hipótese a respeito da questão do cliente, me deixava sempre no meu lugar de poder – o tal lugar do "suposto saber"?

 

Eu treinava bem, estudava muito, lia todas as teorias e qualquer questão que chegava em meu consultório, eu estava preparada e tinha uma boa resposta.

 

Realmente respostas não me faltavam, mas me faltavam  boas perguntas, sistêmicas e reflexivas.

 

Por fim, e já não era sem tempo, venho me desprendendo deste vaidoso lugar do "suposto saber" e aprendendo que a primeira pergunta que devo fazer a uma pessoa que entra em  meu consultório é:

 

 EM QUE POSSO AJUDAR?

 

Ou variações em torno desta pergunta como exemplo:

  • foi você que resolveu pedir ajuda ou foi alguém que disse que você deveria buscar uma ajuda? 
  • Você é uma pessoa que pede ajuda?
  • A quem você já pediu ajuda? 
  • Essa pessoa ou profissional que você procurou antes, conseguiu te ajudar em alguma coisa?
  • Essa pessoa ficou te devendo alguma coisa?
  • Se eu puder te ajudar, e eu não sei se posso, o que realmente seria uma ajuda válida para você?

 

Quero assinalar que a palavra ajudar vem do latim adjutare, que também significa  prestar socorro.

Talvez essa seja mais uma das minhas confusões em prestar ajuda, porque muitas vezes confundi ajudar com prestar socorro ou salvar.

 

Então, além de ocupar o "lugar do suposto saber", eu queria também ocupar o lugar daquele que socorre ou que salva.

Talvez assim ganhasse mais poder e reconhecimento...

Eu acreditava que esses eram os melhores lugares para se ocupar no "show" da vida.

 

Aqui fica uma dica sugestiva para meus colegas que estão em início de carreira, com tanto entusiasmo em ajudar e com a crença de que devem assumir o lugar do suposto saber.

 

Um psicoterapeuta saudável (e não uma babá) tem um importante papel de ajuda sim.  Mas é preciso entender bem o pedido de ajuda que a pessoa te faz.  "Pense longe" e verifique se está diante de uma pessoa que está pedindo ajuda de fato e disposta a colaborar com a própria melhora.

 

"Rastreie" bem a sua trajetória, por quais consultórios essa pessoa passou, buscando entender se ela tem ou está disposta a desenvolver a humildade para pedir, a paciência para esperar as coisas acontecerem, a tolerância em receber o que o outro pode oferecer,  sem se tornar uma pessoa devedora ou cobradora, mas grata. 

 

"Desconfie" das pessoas que não fazem trocas. 

 

Não é fácil, mas dependerá muito do nosso nível de compreensão da complexidade das interações humanas. 

 

Do meu lugar de psicoterapeuta, digo que valeu a pena cada coisa inadequada feita, cada tolice cometida, porque os aprendizados aconteceram.

 

Não é o fim, mas é um bom começo.

 

Mas imagino que para muitos dos meus clientes, pode não ter valido tanto a pena.  Na minha condição humana, com direito sagrado de errar, peço desculpas se não favoreci o crescimento e amadurecimento de muitos. 

 

Jaqueline Cássia de Oliveira 

"Sabedoura de pouca coisa"

julho 2014

 

 

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Psicóloga - CRP 04/7521

Psicoterapeuta Familiar Sistêmica (Brasil)

Psicogenealogista (Itália)

                  

A  PSICOGENEALOGIA SISTÊMICA APLICADA

 

  • A Psicogenealogia é um tema relativamente novo e a psicóloga e psicoterapeuta Jaqueline Cássia de Oliveira é uma das pioneiras desses estudos e trabalhos no Brasil.
  • Sobre o tema, elaborou os materiais didáticos: Psicogenealogia Sistêmica - O romance familiar contado pelo genograma© (com mais de 1.000 leitores) e Quem são os antepassados?© (2018), pela Interação Sistêmica Edições. 
  • Traduziu e apresentou o livro: Jung, Psicogenealogia e Constelações Familiares© de Maura Saita Ravizza, pela Interação Sistêmica Edições.
  • Apresentou o livro  Psicogenealogia: Um Novo Olhar na Transmissão da Memória Familiar, de sua colega e pioneira, Monica da Silva Justino. 
  • De 2011 a 2016, junto à Interação Sistêmica®, organizou e ministrou cursos e workshops sobre o tema transgeracionalidade e  Psicogenealogia Sistêmica, reunindo mais de 700 profissionais, entre psicólogos, psicoterapeuta sistêmicos e consteladores familiares de diversas regiões do Brasil.
  • Nomeou seus estudos e trabalhos sobre transgeracionalidade dentro da visão da Psicogenealogia, da Terapia Familiar Sistêmica e da Psicologia Arquetípica e Imaginal como Psicogenealogia Sistêmica Aplicada.
  • Organizou o curso virtual breve - Conceitos Básicos da Psicogenealogia Sistêmica
  • Organizou o curso virtual - Psicogenealogia Sistêmica Aplicada
  • Fez sua formação em Psicogenealogia através de cursos e estudos do seu genossociograma na Itália e Argentina com importantes professores e teóricos. 

  • Conheça seu currículo clicando no link: http://www.interacaosistemica.com.br/quem-somos

 

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