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Dicas e Ideias

3.0 - DISSOCIAÇÃO AFETIVA - O GRITO DOS MUDOS!

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O INÍCIO 

 

Quando chegamos nesta vida, chegamos "sem eira nem beira, nada nos bolsos ou nas mãos".

 

Não temos ainda defesa imunológica para nosso corpo e nem defesa emocional para nosso "ego/eu" em formação.

 

Somos muito frágeis! 

 

Precisamos de muita proteção (vacinas, agasalhos, leite materno) e precisamos de amor, carinho, cuidados, atenção.

 

E principalmente, precisamos que alguém "sonhe" conosco. 

 

Se não somos sonhados, esperados, desejados, podemos "psicotizar" ou até morrer de inanição!

 

E quem nos nomeiou, pode ser aquela pessoa que "sonhou" conosco!

 

Portanto, saber quem escolheu nosso nome  pode ser uma pista para saber que tipo  de  "expectativa" ou "projeto gestacional"   portamos. 

 

CRENÇAS, DESCRENÇAS E VALORES 

 

E então, enquanto crianças, ainda não temos valores próprios. Nos organizamos inicialmente,  através dos valores de nossas famílias. 

 

Somos "cópias e crentes", já que,  no início da vida não temos a capacidade de fazer um "juízo de valor".

 

Portanto, as crianças são crentes e os  adolescentes em geral são descrentes. 

 

E uma das crenças que o ser humano poderá  "carregar" ao longo de sua vida  é a  crença do pertencimento e do reconhecimento.

 

Precisamos muito pertencer (a uma família, grupo, associação, time...) e precisamos ser reconhecidos - nosso narcisismo primário. 

 

A PSIQUE

 

A psique humana – a ânima ou alma -  didaticamente pode ser "dividida" em consciente e inconsciente.

 

  • O consciente corresponde  a 5% da nossa psique -   é "aquilo que sei que sei." 

 

  • O inconsciente corresponde a 95% da nossa psique - é "aquilo que não sei que sei."

 

"O que um dia eu vou saber, não sabendo eu já sabia." Milton Erickson

 

O IMAGINÁRIO 

 

Nessa "trajetória" psicológica do ser humano é importante ressaltar também que, quando o bebê chega ao mundo ele já nasce imaginando!  

 

Várias teorias psicológicas afirmam que um feto em formação já possui um imaginário, que se conecta ao imaginário de sua mãe e de sua família.

 

Carl Gustav Jung, ainda no século 19, nomeou este imaginário como "inconsciente coletivo".  

 

 

IMAGINÁRIO, ILUSÃO E SONHOS  

 

Então podemos dizer que o ser humano é filho da ilusão!  

 

Nascemos imaginando e não paramos de imaginar nem sequer um minuto do dia!

 

E ao dormir, essa nossa "produção imaginária" se manifesta na forma incrível dos sonhos ou pesadelos (também nos sonambulismos, delírios, alucinações, fantasias, imaginações, etc.).

 

Todo mundo sonha, todos as noites!  Em preto e branco ou a  cores!

 

Nos sonhos, experimentamos uma espécie de "dissociação saudável". 

 

Explico melhor esta ideia: quando estamos acordados (estado de vigília) pensamos e agimos de uma maneira adequada ao social. Mas quando dormimos, sentimos e agimos de outra forma, mais adequada ao nosso mundo interno, à nossa alma!!

 

Ou seja, quando a nossa persona dorme, a nossa ânima (alma)  acorda e entra em ação! 

 

O sonho é a manifestação de nossa  ânima! 

 

Nesse estado de consciência, experimentamos, falamos e sentimos coisas,  que, quando despertamos,  dizemos que tivemos sonhos muito estranhos ou loucos!

 

 

O SIMBOLÊS 

 

Uma característica dos sonhos (também dos delírios e alucinações)  é que são difíceis de traduzí-los. 

 

A tradução dos sonhos é muito difícil, porque nossa "psique" não fala Português, Italiano ou Inglês.

 

A língua falada por ela é o "simbolês" !

 

Em nossos  sonhos, tudo é "narrado" em forma de imagens e  símbolos, usados para representar nossos sentimentos, nossos desejos, nossas dores e nossos traumas,  que, por vários motivos ficaram  "mudos". 

 

Através dos sonhos, a nossa alma por fim se expressa - ela fala, chora, grita, briga, ataca, foge, luta, conquista, morre, mata, se alegra... 

 

Portanto, é preciso um profissional muito experiente para ajudar ao sonhador, a fazer uma espécie tradução do conteúdo latente de sua "alma". 

 

O mesmo vale para quem delirou ou que "produziu" sintomas psicológicos e/ou físicos,  como expressões de suas dores, seus conflitos, seus traumas...

 

Todo sintoma é um mal menor. Mal maior é uma outra coisa...

 

 

PESSOA E PERSONAGEM 

 


E  então, quando acordamos, vestimos novamente nossa personagem/máscara e saímos para o mundo externo, para o trabalho, para a vida social, etc.

 

E  a  nossa "pessoa" (mundo interno ou alma)  fica  "guardada", protegida do mundo social.

 

Porém, por muitas vezes, nossa alma pode ficar  muito tempo abandonada e  esquecida  em  nossos porões  inconscientes!

 

Podemos nos envolver demais com o trabalho, com a luta pela sobrevivência, atrás de nossas ambições, na busca de  reconhecimento social, na criação de  nossos mitos de heróis ou bandidos, sagrados ou profanos,  nos esquecendo de quem somos, de nossa alma e o que viemos fazer nessa vida.

 

E quando a noite novamente chega,  dormimos e a nossa "alma" acorda,  aparecendo como um fantasma para nos contar sobre o que está acontecendo com a nossa vida intima, com nossos sentimentos, nossos dissabores, nossos desejos...

 

A nossa alma conhece tudo sobre nós!  Para  ela, passado, presente e futuro é um tempo só!

 

DISSOCIAÇÃO 

 

Portanto, o ser humano vive seu dia-dia nessa dissociação contínua!

 

Essa dissociação, em muitos momentos pode ser muito adequada, como forma de proteger nossa intimidade.

 

Entre o mundo externo e o mundo interno, a dissociação ou dissimulação adequada, criará possibilidades para a  persona ou máscara representar no social, que é o mundo das "importâncias".

 

E em outro momento, abrirá espaço e tempo para a vida intima, como pausa reparadora, permitindo então que a alma se manifeste. 

 

Uma pista de que nos desconectamos em demasia  de  nossa alma é quando estamos "desanimados" – sem ânima. 

 

O problema  é que somos mais dissociados do que podemos imaginar...

 

DISSOCIAÇÃO AFETIVA E TRAUMAS

 

A dissociação afetiva, como transtorno,  é um estado patológico agudo  de descompensação, no qual certos pensamentos, emoções, sensações e/ou memórias são ocultados, por serem muito traumaticos e chocantes para a nossa psiquê conseguir integrar.

 

A dissociação afetiva, pode  manifestar-se imediatamente após uma situação traumática  ou até muitos anos depois.

 

Ela pode aparecer como um pequeno "trinco" em nossa personalidade (neurose), ou uma rachadura (bordeline) chegando até uma grande cisão (psicose). 

 

Na psicose,  o indivíduo se dissocia do real. 

 

Todo doido tem uma grande dor - doido é muito "doído".

 

O psicótico, por exemplo, quando ele surta (dissocia),  está denunciando tudo o que já aconteceu,   a ele ou ao seu sistema familiar.

 

Pode ser algo que ele vivenciou ou assistiu ou ainda, que lhe foi transmitido geracionalmente  e  que não está  "integrado" em seu mundo interno. 

 

Já os indivíduos "bordelines" se  mantêm  firmes  entre  o  cindir  e  o  não cindir - mas vivem  na "beira da borda" entre a loucura e a sanidade.

 

O TRAUMA, A DOR E O SOFRIMENTO  

 

Sabemos que o ser humano possui uma capacidade cognitiva, o que o diferencia dos animais.

 

Assim,  ao vivenciar um trauma, muitas vezes, diferente dos animais, o ser humano não ataca ou foge, escolhendo  ficar quieto, mudo,  com vergonha, enquanto  sua alma está  gritando de dor.

 

Ao vivenciar um grande trauma, para suportar a dor, o ser humano usará inicialmente o mecanismo de defesa da dissociação afetiva. 

 

Dissociando a emoção do fato ocorrido, ele "guarda" aquela vivência no seu "freezer" emocional, por dias, meses, anos ou  uma vida inteira.

 

O trauma pode ter sido um abuso, uma agressão, uma humilhação, uma desconsideração, uma traição, qualquer coisa que tenha sido vivenciada como violenta, desrespeitosa e sem possibilidades de elaboração, de entendimento ou ressarcimento.

 

O GRITO DOS MUDOS 

 

Assim, o caminho desse trauma pode ser  a dissociação afetiva - a pessoa desconecta  a emoção do fato,  não fala, não chora, não briga, podendo até negar ou esquecer o que  aconteceu.

 

Uma pessoa que viveu um  trauma, estando dissociada, pode  narrar o ocorrido  sem nenhuma emoção. Em geral a emoção camuflada é da raiva que sentiu naquele momento de humilhação. 

 

Uma pessoa pode passar uma vida negando uma história, um fato, um abuso, uma raiva!

 

Pode também usar de muitos mecanismos de defesa para conseguir fazer isso  - trabalhando muito,  bebendo muito, usando drogas,  rezando muito, limpando muito, juntando coisas. 

 

As compulsões, em geral,  são  sintomas de dissociação  afetiva.

 

O  "TRANSTORNO DISSOCIATIVO DE IDENTIDADE"

 

O Transtorno  Dissociativo de Identidade  é um transtorno  mental no qual a pessoa sofre de um desequilíbrio psicológico, havendo alterações na consciência, memória, identidade, emoção, percepção do ambiente, controle dos comportamentos.

 

Na maioria dos casos verifica-se amnésia dissociativa: incapacidade de recordar eventos diários,  informações pessoais importantes ou eventos traumáticos de uma forma que não pode ser explicada pelo esquecimento normal. 

 

Os diferentes estados de personalidade revelam-se de forma alternada no comportamento da pessoa, embora a sua apresentação possa variar. 

 

Em muitos casos, a condição  está  associada  a outras  perturbações, como  a perturbação de personalidade limítrofe (bordeline),  perturbação de stress pós-traumático,  depressão,  perturbação  por  abuso  de  substâncias,  autolesão  ou  ansiedade.

 

Alguns dos sintomas:

  • dificuldade de reconhecer o que está sentindo, por exemplo, numa situação de tristeza, apresenta risos desconexos. 
  • viver como um "mito" muito poderoso (no trabalho, na família, na religião, na política, etc), não permitindo que a sua "pessoa" se apresenta como é. Por exemplo, pessoas  muito engraçadas que mascaram sua tristeza; pessoas muito fortes que mascaram a sua fragilidade; pessoas valentonas que escondem seus  medos; pessoas que se mostram muito bondosas ou caridosas, mas quando estão sozinhas, fazem maldades; etc.
  • pesadelos, sonambulismos, delírios noturnos - falar, xingar, gritar, bater, chorar.
  • sentir que tem duas ou mais pessoas dentro de si, querendo se expressar.
  • vivenciar situações emocionais de forma fria, dissociada do fato. 
  • despersonalização — que se refere a sentir-se irreal, removido de si próprio e desconectado do processo físico e mental do eu; o indivíduo pode sentir-se como um espectador ou observador de sua vida e pode enxergar a si próprio como se estivesse assistindo a um filme; desrealização — que se refere à percepção de pessoas familiares como se elas fossem estranhas ou mesmo irreais.

 

DIAGNÓSTICO DO  "TRANSTORNO DISSOCIATIVO DE  IDENTIDADE"

 

Fazer o diagnóstico de transtorno dissociativo de  identidade  pode levar  tempo.

 

Estima-se que os indivíduos com transtornos dissociativos passem anos em terapia ou  no  sistema  de   saúde  mental antes do diagnóstico preciso.

Isto é comum, porque a lista de sintomas de uma desordem dissociativa é muito semelhante a de muitos outros diagnósticos psiquiátricos, como esquizofrenia, bipolaridade, distimia, transtorno bordeline, alzheimer, entre outros. 

Na verdade, muitas pessoas que têm transtornos dissociativos também têm coexistindo diagnósticos de  borderline  ou  outros transtornos de personalidade, depressão, ansiedade

 

TRATAMENTOS 

 

Por enquanto não há  um tratamento  específico para o  transtorno dissociativo de identidade.

 

Mas sabemos que um  tratamento mais eficaz, inclui a psicoterapia e outras terapias como   Florais de Bach,   Fitoterapia, Microfisioterapia,  Arteterapia  e tantas outras que forem possíveis.

 

Não há estabelecidos psicofármacos  para tratamentos de  transtorno dissociativo de identidade. Mas o tratamento de doenças concomitantes, como a depressão ou vício  em substâncias, é  fundamental para a melhoria global.

 

Uma vez que os sintomas de transtornos dissociativos muitas vezes ocorrem com outros distúrbios, tais como ansiedade e depressão, os medicamentos para tratar os problemas concomitantes, caso estejam presentes, são por vezes usados em adição à psicoterapia.

 

"AS COISAS MUDAM NO DEVAGAR DEPRESSA DOS TEMPOS." 

 

Esta frase de Guimarães Rosa, nos lembra que a vida é breve. 

 

E que a infância, adolescência, fase adulta e velhice são fases interligadas da vida.  

 

Então, muitas das demências que aparecem na velhice, são desdobramentos das dissociações ocorridas durante toda vida de uma pessoa.

 

São os fantasmas de uma vida inteira dizendo ao idoso - "eu estou aqui! eu estou aqui!" Por favor, me escute, me inclua!

 

SÃO MUDOS GRITANDO!

 

A partir dos 45 anos, ou a pessoa se encontra com a sua alma, ou vai  deprimir, cair na fossa, adoecer ou começar a "caducar".

 

Na visão da Psicogenealogia, se uma pessoa se despede desta vida de forma fragmentada, ou seja, sem fazer as devidas inclusões afetivas, ela deixará, para a próxima geração,  a incubência  de fazer a integração  daquela  dissociação ou exclusão  ocorrida. 

 

Em  Psicogenealogia  este  fenômeno  se  chama   Cripta e fantasmas.

 

Então,  deveríamos  tirar mais tempo para conversar com nossos idosos, como forma de favorecê-los a integrar  as suas histórias.

 

E principalmente, precisamos tirar um tempo para fazer terapia, além  de compartilharmos  sobre  a  nossa vida emocional com quem nos é caro e  íntimo. 

 

Por fim,   devemos buscar o que tem validade,  equilibrando o que está em excesso e o que está em escassêz em nossas vidas. 

 

Feliz vida a todos!

 

 

Sugestões:

 

 

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Psicóloga - CRP 04/7521

Psicoterapeuta Familiar Sistêmica (Brasil)

Psicogenealogista (Itália)

                  

A  PSICOGENEALOGIA SISTÊMICA APLICADA®

 

  • A Psicogenealogia é um tema relativamente novo e a psicóloga e psicoterapeuta Jaqueline Cássia de Oliveira é uma das pioneiras desses estudos e trabalhos no Brasil.
  • Sobre o tema, elaborou os materiais didáticos: Psicogenealogia Sistêmica - O romance familiar contado pelo genograma©  (em 2014, com mais de 1.000 leitores) e Quem são os antepassados?© (2018), pela Interação Sistêmica Edições. 
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  • Apresentou o livro  Psicogenealogia: Um Novo Olhar na Transmissão da Memória Familiar, de sua colega e pioneira, Monica da Silva Justino. 
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