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Dicas e Ideias

3.0 - A ARTE DE FAZER PERGUNTAS (SISTÊMICAS)

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Uma pergunta (sistêmica) pode ser um instrumento muito potente

 nas mãos de um psicoterapeuta, 

como recurso que facilita nas reflexões, 

 na ampliação da consciência e, por fim, na evolução do processo. 

Mas, saber fazer perguntas 'sistêmicas' é uma verdadeira arte!

Os psicoterapeutas sistêmicos sabem disso, 

e dedicam boa parte de sua formação aprendendo a fazer perguntas. 

 

 

 O psicoterapeuta sistêmico formula perguntas baseadas em suas hipóteses, que por sua vez, são elaboradas a partir do pedido-queixa, do sintoma enunciado, das narrativas, das histórias, do  contexto, das premissas, etc. 

 

Entre os vários tipos de perguntas típicas do psicoterapeuta sistêmico, as que são mais favoráveis às mudanças são sem dúvida as chamadas "perguntas reflexivas." 

 

As perguntas reflexivas são perguntas feitas com o objetivo de facilitar o "curar-se", ativando reflexões que permitem à pessoa (ou casal, ou família, ou grupo) de desenvolver em si mesmo modelos cognitivos, emocionais e comportamentais mais construtivos e evolutivos. 
 

O número de perguntas que podem ser usadas de modo reflexivo é infinito! Podem ser tanto quanto as hipóteses que o psicoterapeuta conseguir formular acerca dos problemas do seu cliente e as estratégias que considerar úteis a permitir que ele próprio encontre alternativas para resolver seus  problemos. 

 

O psiquiatra e psicoterapeuta canadense Karl Tomm, em seu artigo "A entrevista interventiva" publicado em 2003, propôs a seguinte classificação das perguntas reflexivas:
 

  • perguntas orientadas ao futuro 
  • perguntas relativas ao ponto de vista do observador 
  • perguntas inesperadas de mudanças de contexto 
  • perguntas que contém sugestões "embutidas"
  • perguntas de comparação  de normas e padrões 
  • perguntas de distinções e esclarecimentos
  • perguntas que introduzem hipóteses 
  • perguntas de avaliação do processo terapêutico 

 

1. Perguntas orientadas ao  futuro

 

As perguntas orientadas ao futuro são particularmente úteis em todas situações nas quais as pessoas vivem "como se não tivessem um futuro."  Com este tipo de perguntas, o psicoterapeuta poderá "empurrar" as pessoas a estarem mais atentas ao próprio futuro, sugerindo ideias e/ou uma ação futura, despertando o desejo de criar objetivos futuros. 
 

Exemplos:

 

  • O que você espera que posssa acontecer com seu casamento nos próximos anos? 
  • O que você teme que possa acontecer com sua esposa se ela voltar a frequentar a faculdade? 
  • Quando é que você vai encontrar uma maneira de cuidar de si mesmo e quem seria a primeira pessoa a perceber isso?

 

2. Perguntas relativas ao ponto de vista do observador 

 

São perguntas que têm o objetivo de aumentar a capacidade das pessoas de distinguir ou ressignificar comportamentos, pensamentos ou emoções que ainda não foram distinguidos. 

 

Fazer perguntas deste tipo, ajuda  "abrir os olhos"  e a desenvolver uma nova consciência da própria situação. 
 

Exemplos:

 

  • Como você "traduziria" esta situação que acionou estes sentimentos? 
  • Se você estivesse no lugar desta pessoa que você descreveu durante sua narrativa,  como  você  se  comportaria e o que faria de diferente dela?
  • Quando sua esposa fala deste modo irônico, como você se sente?
  • Como você se comporta quando fica chateado ou frustrado?
  • Quando a sua mãe entra na discussão, ela fica do lado de quem?

 

3. Perguntas inesperadas de mudança de contexto

 

Para obter uma mudança inesperada de contexto, as perguntas devem concentrar-se em trazer à luz o que permaneceu oculto ou perdido.  Elas  podem ser usadas para explorar um conteúdo ou contexto oposto, ou para provocar uma confusão paradoxal.
 

Exemplos:

 

  • Quando foi a última vez que vocês se divertiram juntos?
  • Quem nesta família tem mais "prazer" em brigar?
  • Qual é a sua forma de brigar?
  • Qual é a sua forma de brincar?
  • Quem entre vocês é "bom de briga"?
  • Quem entre vocês é "bom de brincadeira"?

 

4. Perguntas que contém  sugestões "embutidas" 

 

São utilizadas quando o psicoterapeuta sente a necessidade de ser mais específico, para  ir  de encontro à dificuldade  da pessoa.

 

Exemplos:

 

  • Se ao invés de pensar que ele foi teimoso de propósito, você pensasse que ele estava confuso, que nem sequer ele  não entendeu o que você queria dele, como você o trataria?

  • Se ao invés  de  sair  quando você está chateado, ele te abraçasse, o que você faria?

 

5. Perguntas de comparação de normas e padrões

 

As pessoas com problemas têm a tendência de se sentirem "anormais" e desenvolvem um desejo de se tornarem "mais normais". Através de perguntas de comparações normativas,  o psicoterapeuta pode ir de encontro a este desejo e ajudá-lo a avançar para modelos mais saudáveis. O psicoterapeuta pode fazer perguntas para evidenciar a tendência de comparar-se ou de querer seguir uma norma social, ou para provocar uma comparação com uma norma evolutiva ou cultural. 

 

Exemplos:

 

  • Você acha que você é mais aberto do que a maioria dos membros da sua família?

  • Se a sua mãe "descobrisse" que, como ela,  a maioria das mães ocidentais sofrem quando um filho sai de casa, ela ficaria surpresa com isso, ou seria um alívio para ela pertencer a esta maioria?

  • A fase adolescente de seus filhos, em que ela se assemelha com a sua adolescência? Em que ela diferencia? 

 

6. Perguntas de distinções e esclarecimentos

 

Estas perguntas são feitas com o objetivo de ajudar a clarear atribuições causais, atribuições de categoria, de sequência e dilemas.
 

Exemplos: 

 

  • O que é realmente mais importante para você: ter sucesso no trabalho ou ter uma vida familiar rica?
  • O que você entende que é valor e o que é importância?
  • Você pede  a alguem para lhe ajudar a ver o que não consegue enxergar ou fica só com seu ponto de vista?

 

7. Perguntas que introduzem hipóteses 

 

Estas perguntas são feitas para mostrar mecanismos defensivos, respostas problemáticas, necessidades básicas, alternativas e, paradoxalmente, perigos numa mudança. 

 

Exemplos:

 

  • Quando você fica com raiva e a sua mulher se distancia, ou quando a sua mulher se distancia e você fica com raiva, como seus filhos reagem a isto?
  • Para crescer e amadurecer naturalmente, de qual tipo de educação e proteção seus filhos precisam?
  • Se você finalmente reconhecesse que, da forma como age, está contribuindo para a sua depressão, você acha que conseguiria lidar com esta consciência?
  • Sobre o seu alcoolismo, o que você definitivamente não faria em prol da sua melhora?

 

8. Perguntas de avaliação do processo terapêutico

 

São perguntas feitas para comentar diretamente sobre o processo terapêutico em curso, para deixar claro as melhoras, as mudanças, a possibilidade de finalização de processo e se for o caso, da abertura de nova etapa terapêutica.

 

Exemplos:

 

  • De 0 a 100 km, quantos quilômetros você acha que já andou em seu processo terapêutico?
  • Quando seus pais estão em casa brigando, como sempre fizeram, quem fica perto deles?
  • Se você tivesse que contar aos seus vizinhos tudo o que acontece em sua casa, quem da sua família ficaria mais chateado com isto? 

 

Conclusões

 

A arte de fazer (boas) perguntas é a arte de promover a evolução!

 

As (boas) perguntas  feitas pelo  psicoterapeuta sistêmico, ajudam a manter ativa a curiosidade, a explorar cenários inéditos, a gerar relexões, a ampliar a consciência, a observar e observar-se de um ponto de vista diferente e finalmente  a  mover-se na direção da mudança desejada. 

 

 

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  • Psicóloga - CRP 04/7521
  • Psicoterapeuta Familiar Sistêmica (Brasil)
  • Psicogenealogista (Itália)

 

 

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"TRABALHANDO COM PERGUNTAS SISTÊMICAS"

              

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